Como posso ter paz após ser magoado?

Sempre podemos escolher entre trilhar o Ciclo do perdão ou o Ciclo da vingança. Quando não perdoamos e classificamos alguém como monstro estamos negando a responsabilidade da pessoa por seus atos.

No Ciclo da vingança, rejeitamos a dor e o sofrimento e acreditamos que ferindo a pessoa que nos feriu passará. E no Ciclo do Perdão, enfrentamos a dor e o sofrimento e avançamos rumo a aceitação e a liberdade trilhando o Quádruplo Caminho.

Os passos do Quádruplo Caminho são: contar a história, dar vazão à mágoa, conceder o perdão e renovar ou abrir mão do relacionamento.

Por que contar a história? É o modo de resgatarmos nossa dignidade após sofrermos algum dano. É o modo como começamos a recuperar o que nos foi tomado e a compreender e extrair sentido de nossa ferida. Conte a verdade e comece pelos fatos. Dependendo da natureza do trauma, no começo as memorias podem estar fragmentadas e ser difícil de articula-las e, somente falando sobre elas, você consegue liberta-las, pois quando trancamos nossas histórias dentro de nós os danos iniciais são agravados e se reprimirmos por medo ou vergonha, continuamos presos ao trauma e ao papel de vítima. Não é fácil, porém é o início da liberdade ao perdão.

Caso não houver ninguém em quem confie, você pode imaginar a pessoa na sua frente e se expressar. Pode escrever uma carta para a pessoa que lhe fez mal e se não tiver sentido enviar, você pode queimar. Podemos sentir necessidade de contar nossas histórias muitas vezes, para muitas pessoas e de muitas formas antes de nos sentirmos prontos para seguir adiante no processo do perdão.

Dar vazão à mágoa

Muitas vezes parece mais fácil ou mais seguro ignorar uma mágoa, reprimi-lá, tira-lá da cabeça, fingir que não aconteceu ou racionaliza-lá, dizendo a nós mesmos que não devíamos nos sentir como nos sentimos. Mas mágoa é uma mágoa. Uma perda é uma perda. É um mal sentido, mas negando sempre encontrará uma forma de se expressar, pois quando enterro minha mágoa em vergonha ou silêncio, ela começa a se infeccionar de dentro para fora. Sinto a dor mais agudamente e sofro ainda mais por sua causa.

Devemos ser corajosos e dar vazão às mágoas que nos levam a sentir vergonha ou nos diminuem quando nossa dignidade é violada. Não fazemos bem a ninguém guardando a ferida no armário de um passado que nos recusamos reconhecer. Devemos fazer o possível para arrancar essa raiz e conseguimos somente através da verdade.

O luto emocional é o modo como enfrentamos e liberamos a dor que sentimos. Ele tem muitos estágios bem documentados – a negação, a raiva, a barganha, a depressão e, por fim, a aceitação.

Muitas pessoas estão desconectadas de seus sentimentos e experiências. Isso geralmente ocorre em consequência de um sofrimento antigo que foi reprimido. Por essa razão, há ocasiões em que devemos reaprender a sentir para se aprender a perdoar.

Conceder o perdão

Depois de contarmos nossas histórias e darmos vazão às nossas mágoas, o próximo passo é conceder o perdão. As vezes a escolha é feita depressa e outras vezes leva tempo, mas como inevitavelmente avançamos no Quádruplo Caminho escolhemos o perdão porque é o modo de encontrar a liberdade e impedir que permaneçamos presos num círculo infinito de contar a história e dar vazão às mágoas. É como se passa do papel de vítima ao de herói. Uma vítima está em posição de fraqueza, sujeita aos caprichos dos outros. Já heróis determinam seu destino e futuro. Uma vitima não tem nada a dar e nenhuma escolha a fazer. Um herói tem a força e a capacidade de ser generoso e compassivo, e o poder e a liberdade que provém da capacidade de optar por conceder o perdão.

O perdão é uma escolha, crescemos através dele e sabemos que estamos superando quando somos capazes de contar uma nova história.

Renovar ou Abrir Mão do Relacionamento

Para concluir a jornada do perdão e alcançar a integralidade e a paz a qual anseia, você deve escolher entre renovar ou abrir mão do relacionamento e após este passo final no Quádruplo Caminho, você apaga do quadro tudo que causou uma ruptura no seu passado.

A decisão de renovar ou abrir mão é uma escolha pessoal que só você pode fazer. Quando é um vínculo estreito, de família, os fios da memória da intimidade que os unem são fortes e, neste caso, a opção é renovar. É mais fácil abrir mão de um relacionamento com um conhecido, vizinho ou estranho, porque estas pessoas não ocupam um lugar especial no seu coração.

A decisão refletida de abrir mão do relacionamento é uma escolha válida. Mesmo assim, a renovação ou a reconciliação são sempre preferíveis, com exceção dos casos em que a segurança está em jogo.

Quando abrimos mão do relacionamento aquela pessoa vai embora com um pedaço do nosso coração e da nossa história. Renovar nossos relacionamentos é o modo de colhermos frutos do que o perdão plantou, pois, a renovação é um ato criativo. Os relacionamentos ficam profundos quando enfrentamos a verdade, reconhecemos nossa humanidade comum, e podemos contar uma nova história sobre o relacionamento transformado.

O TEXTO FOI BASEADO NO LIVRO DO PERDÃO – DESMOND TUTU&MPHO TUTU

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